Coaching de carreira: ampliando oportunidades

Popularizado no Brasil, em anos recentes, o coaching é essencialmente um processo em que se desenvolvem competências para a realização de metas pessoais. O coaching de carreira trata, especificamente, das metas relacionadas à experiência profissional e suas eventuais interfaces com a vida pessoal. Metas relacionadas a questões que vão desde as dificuldades na primeira escolha até os desafios da redefinição profissional na meia-idade, passando por temas como foco na carreira, insatisfação ocupacional, decisões de investimento profissional e desenvolvimento de competências intra e interpessoais, entre outros temas.

Na condução do processo, encontra-se o coach: um profissional cujo propósito é assessorar o cliente na análise de seu problema e na formulação de suas próprias soluções. A não-diretividade é um princípio fundamental do coaching, baseado no pressuposto de que o indivíduo é o melhor autor para suas próprias decisões, por ser o único capaz de compreender as especificidades e nuances de sua experiência. Ao coach cabe o papel desafiador de proporcionar ao cliente, através de perguntas estratégicas, a possibilidade de apreciar suas questões sob diferentes ângulos, desvelando possibilidades e alternativas até então inacessíveis. Ao mesmo tempo, o coach identifica obstáculos e recursos pessoais relacionados à meta do cliente elementos fundamentais ao processo.

Quase sempre, o que leva um cliente ao coaching são seus obstáculos internos muito mais que os externos. Dentre eles, por exemplo, pressupostos limitantes, conflitos de valores e estratégias cognitivas ineficazes. No entanto, tão ou mais importante que identificar obstáculos é a tarefa de prospectar recursos pessoais no discurso do cliente. Costumamos utilizar, em nossos cursos de formação, a metáfora de “garimpeiro de recursos” para enfatizar esse papel fundamental do coach. Freqüentemente, o cliente não percebe já possuir inúmeros recursos (conhecimentos, habilidades, atitudes) para alcançar o que deseja - muitas vezes, utilizados em diferentes momentos de vida ou em diferentes contextos.

A análise de discurso é outro aspecto distintivo do coaching de carreira. Trata-se de uma análise de base construcionista1, em que os significados são estabelecidos dialogicamente, e não a partir de categorias apriorísticas ou de metanarrativas. A capacitação em coaching pressupõe, ainda, o domínio de técnicas para a escuta ativa e a formulação de perguntas estratégicas (por exemplo, a técnica do metamodelo lingüístico), além do treinamento na análise de discurso construcionista. Os principais pré-requisitos para essa formação seriam, principalmente, de ordem comportamental e atitudinal. A disponibilidade para a escuta, o “gostar de gente” e o genuíno interesse pelo desenvolvimento humano são, por exemplo, algumas características de grande relevância para o exercício dessa atividade.

A formação2 em coaching de carreira pressupõe, além de uma capacitação geral nas técnicas de coaching, uma capacitação específica em conceitos e modelos de gestão de carreiras. Nesse campo interdisciplinar, o futuro coach amplia sua percepção do binômio carreira & vida, entende as implicações da auto-administração desse binômio e reconhece a complexidade desse fenômeno na atualidade, a partir de diversos modelos teóricos e pesquisas nacionais e internacionais. Em suma, o coach não é consultor, tampouco conselheiro, mas um especialista em desenvolvimento de competências e gestão de carreiras habilitado a assessorar seus clientes na realização de suas metas de carreira & vida.

Um processo de coaching é conduzido, tipicamente, em até 10 sessões individuais de 1 hora. Esse esquema comporta variações, mas apresenta alguns pontos em comum, independentemente da abordagem utilizada: 1) foco em uma meta criteriosamente definida no início do processo; 2) foco em ação, visto que o cliente reflete e tem insights, mas também é responsável pela realização de tarefas práticas, entre as sessões; e 3) não-diretividade, significando que o coach conduz o processo, mas não o conteúdo das decisões nele formuladas.

Nesse ponto, você poderia estar se perguntando: Qual é, afinal, a relação entre Orientação Profissional e Coaching de Carreira? Certamente, trata-se de duas abordagens diferentes que podem, eventualmente, atender a demandas semelhantes. Contudo, melhor que tentar estabelecer semelhanças e diferenças é recorrer a outra metáfora: a das “caixas de ferramentas”. Uma boa formação, seja em coaching, seja em OP, proporciona um determinado repertório de recursos destinados ao uso em um esquema de atuação específico. Muitos desses recursos, no entanto, podem ser utilizados, de forma intercambiável, em diferentes esquemas - desde que respeitados seus princípios, diretrizes e critérios específicos. Algumas de nossas ex-alunas, psicólogas com grande experiência em OP, têm nos relatado a viabilidade e o benefício dessa abordagem inclusiva. Uma vez definidos o contexto e os objetivos de atuação, a disponibilidade de novas “caixas de ferramentas” pode se tornar um elemento promotor de flexibilidade e eficácia na atuação do orientador profissional.

Outra possibilidade que também se abre, a esse profissional, é a de ampliar sua abrangência de atuação.
Tipicamente focado no universo adolescente - escola, esse profissional se habilitaria, no papel de coach, a uma atuação com adultos e, eventualmente, no contexto organizacional. Merece, por fim, ser ressaltado outro fenômeno bastante comum entre os formandos em coaching de carreira - quase um “efeito colateral desejável”: a possibilidade de empreender uma profunda investigação da própria experiência de carreira & vida, ampliando suas possibilidades existenciais e identificando recursos pessoais nem sempre evidentes ao olhar cotidiano. Afinal, é disso mesmo que se trata o coaching - reconhecer e ampliar as inúmeras possibilidades abertas às escolhas e ao desenvolvimento humano.

Fonte:http://www.abopbrasil.org.br/arqs/4839Artigo%20-%20Coaching%20de%20Carreira.pdf

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